
Ao ato de esperar já nos fazemos condenados desde o primeiro choro: uma mãe espera ansiosos meses para conhecer seu buliçoso inquilino, a quem estará conectada para o resto da vida.
Há quem passe a vida toda a esperar algo. Ou alguém. Há quem espere felicidade, e aqueles que só esperam o dia passar. Há quem espere para entrar. Há quem espere para não morrer. Esperar está sempre ligado a uma outra ação, ou uma manada furiosa delas. Seja como for, o ato de esperar é sempre envolto em confuso mistério.
Esperar é o inimigo confuso que te surpreende no escuro. Você pode passar o dia inteiro próximo a janela, em total alerta, que provavelmente o que você espera chegará pela porta dos fundos. E mesmo com esse susto, você se dará por felizardo: nem sempre o que se espera aparece.
Cada um ameniza a espera como pode. São nossas revistas de consultório de dentista. Minha maneira favorita é amaldiçoar os ponteiros do relógio. O passar preguiçoso deles me faz pensar que existem pessoas que esperam horas e recebem minutos. Eu sempre recebi milênios.
Culpa talvez da minha mania de querer que o trem ande depressa, de querer que o mundo gire mais rápido, de querer que as coisas rompam a inércia. De querer tanto o agora.
Penso que deve ter sido daí que surgiu a palavra desespero. Quem desespera, não espera mais nada: vive sem destino, a mercê do medo. Medo de que nunca venha. Medo de estar conectado ao que se espera, inexoravelmente, para o resto da vida.
Toda espera inclui em essência nosso desejo medroso de ser feliz.
Há quem passe a vida toda a esperar algo. Ou alguém. Há quem espere felicidade, e aqueles que só esperam o dia passar. Há quem espere para entrar. Há quem espere para não morrer. Esperar está sempre ligado a uma outra ação, ou uma manada furiosa delas. Seja como for, o ato de esperar é sempre envolto em confuso mistério.
Esperar é o inimigo confuso que te surpreende no escuro. Você pode passar o dia inteiro próximo a janela, em total alerta, que provavelmente o que você espera chegará pela porta dos fundos. E mesmo com esse susto, você se dará por felizardo: nem sempre o que se espera aparece.
Cada um ameniza a espera como pode. São nossas revistas de consultório de dentista. Minha maneira favorita é amaldiçoar os ponteiros do relógio. O passar preguiçoso deles me faz pensar que existem pessoas que esperam horas e recebem minutos. Eu sempre recebi milênios.
Culpa talvez da minha mania de querer que o trem ande depressa, de querer que o mundo gire mais rápido, de querer que as coisas rompam a inércia. De querer tanto o agora.
Penso que deve ter sido daí que surgiu a palavra desespero. Quem desespera, não espera mais nada: vive sem destino, a mercê do medo. Medo de que nunca venha. Medo de estar conectado ao que se espera, inexoravelmente, para o resto da vida.
Toda espera inclui em essência nosso desejo medroso de ser feliz.


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