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segunda-feira, 5 de abril de 2010

relógio em vez de retrato na cabeceira



Quando ele chegou já não havia nem mato nem vida nem alegria.
Era tudo tão árido e pouco que mesmo o peito inundado sofria um lamento rouco,
no dia em que ele chegou.
E ela, já decidida, dizia que ia mudar
colocou o coração na mala, quase pensou em tirar
agora, que ele chegou.
Ouviu o anúncio dos céus e a luz do relampejar
Abriu a janela contente, sorriu, começou a cantar:
é hoje meu Deus, eu já sinto, que minha sorte há de mudar!
As nuvens em resposta tremeram, as árvores a festejar
Ninguém que era vivo dormia, na garganta um louco pulsar
E a esperança gritava desvairada, acompanhando o compassar
dizia que ele chegou.
Correu criança, tia, sobrinha. Correu tudo que perna tinha
os braços jogados pro ar,
os dedos desejando as gotas, que porventura viessem repousar.
Ela olhou e nada viu. Não era ele quem estava lá. E a chuva que ameaçou não caiu,
só um leve orvalhar.
O sol levantou irritado, tomou posse do lugar, a sorte que era dela não veio, tudo se pôs a queimar,
a única coisa que chovia, era a dor que ardente doía, no corpo a soluçar.
E ela logo sabia, que aquele era só mais um dia, um dia de cama vazia
Um dia que ele não veio.

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