
Eu erro. Tu erras. Nós erramos.
E por termos aprendido desde cedo os não e sim da vida, não existe nenhuma pesquisa dizendo quantos erros cometemos por dia, ou qual o raio quilométrico de pessoas que são atingidas por isso.
Não. Errar não é aceitável, muito menos nas estatísticas.
E sobre este terreno você constrói toda sua pequena ditadura do esquecimento baseado no fato de que ninguém pode errar com você. E é cada vez mais fácil tirar aquela pedrinha oportuna do bolso, pra jogar em quem estiver pela frente, magoando seus sentimentos e te fazendo chorar. Com suas lágrimas ninguém pode brincar.
Isso é muito bonito e romântico até o dia em que você erra. E perde muito por isso. É quando você vê desmanchando até a última pedrinha do seu castelinho imaginário de bondade e justiça.
Encara sua face no espelho e se reconhece "um grandessíssimo idiota, humano, ridículo, limitado, que só usa 10% de sua cabeça animal". E sente vontade de abraçar todos seus supostos inimigos, agora que você perdeu sua inocência e virou lobo. Você quer dizer a eles que agora entende. Entende porque saiu do seu confortável papel de vítima de um crime qualquer.
O travesseiro não é mais suficiente para uma cabeça cheia de culpa.
Tudo faz mais sentido no reino de quem tem culpa, porque lá não existe uma linha imaginária que divide bons e maus. Existem pessoas, muitas pessoas. Provavelmente quase todas que você já conheceu. E elas não são piores ou melhores que você. Você só faz parte delas. Lá não existe um código penal. Você só estende, todos os dias, a outra face.
Não existe como desfazer um erro, você só aprende a carregá-lo. E a tentar ser melhor do que era antes. Eu precisei errar, e perder, para aprender a perdoar. E isso não traz orgulho, parabenizações, lição de moral ou medalhas de honra ao mérito. É só questão de compreender, e tentar dormir.

