
O melhor momento de uma montanha russa é quando se está no topo. O vento no rosto, o coração batendo a mil por hora, tão forte que cala seus próprios pensamentos. Mãos para o ar, o grito. E não importa se você percorre o mesmo caminho uma, duas, três vezes. É só sentir a inclinação se aproximando que todo seu corpo se prepara para o que há de vir, uma das melhores sensações que se pode sentir: parar de pensar. Sim, porque nesse instante de puro êxtase, você não pensa que está prestes a cair. Pelo contrário, a descida te embriaga. Os segundos são plenos, e naquele momento só existe você e o céu.
Mas me diga: você viveria em uma montanha russa? Você seria capaz de suportar o fato de ter que sentir algo tão forte e emocionante, mesmo sabendo que dali a um passo você despencará? Será que você se acostumaria com o percurso, se privando de sentir o que o cume lhe reserva, olhando por cima dos ombros só esperando cair? Ou ainda pior: você passaria a apreciar mais a queda do que o topo?
Minha vida sempre foi esse sobe-e-desce de emoções. Um dia sente, no outro não sente. Um dia vai, outro dia volta. Por que sentir se vai passar? Por que correr se vai cair? Estarei eu presa em um dia, percorrendo as mesmas curvas sinuosas, e apreciando como se fosse a primeira vez que eu caminhasse? Ainda existe algo a aprender nas descidas? Se existe, por que eu não consigo enxergar?
Meu corpo está cansado de gritar. Minhas mãos doem de ficar tanto tempo levantadas. Mas eu continuo ouvindo a voz sedutora da vertigem, e me jogo.




