
Estou deixando para trás. Lavando as escaras com a mesma água em que me banhei incontáveis vezes.
Minhas mãos, outrora ávidas, hoje são semimortas e cicatrizam vagarosamente. Abandonei minhas cansadas justificativas e voei. Larguei mão do quase. Do intangível. Do talvez. E agora meu voo é leve.
Quero sentir, se ainda puder. Mas com meu corpo cansado, meus olhos míopes, meus poros abertos. Quero sentir todo, e sempre. Porém só o tanto que couber em mim, que não é mais tudo. Quero escutar a sinfonia do legato e deixar de vez esses tantos desencontros. E me proíbo de sentir com a imaginação.
Volto se der, na mudança de estação. Quando o verão chegar, pintando o céu de amarelo alegre. Mas volto só para dizer que nunca mais vou ficar.
O tempo já feriu demais meu rosto, já não quero o antigo em mim. Terminei a história. Fechei o livro.
Quebrei o ciclo.


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