"Se tu me amas como eu te amo, Pedro, lute por mim".Aos 11 anos tive contato com essa frase, de uma chamada semanal da mini-série Os Maias.
Não sei bem o porquê dela me ter cativado tanto, mas sempre me vem a cabeça em horas de reflexão ou distração.
Mentira.
A verdade é que sei, mas tenho vergonha de admitir: é inveja.
Tenho inveja dessa frase. Tenho inveja de quem pode pronuncia-la, tenho inveja de quem pensou em escrevê-la.
Não gosto dela por seu sentido vulgar, a expectativa forçosa, o quê de mulherzice. Gosto da ideia da luta.
A luta, pois, não é uma decisão por conveniência e sua irmã odiosa, convenção. Não tem deveres quanto a coerência, nem respeito ao moralismo. A luta é insensata, impensada, explosiva. É o que traz aos poros o inato. A luta é pura. Puramente humana e ao mesmo tempo, completamente irracional. Assim como eu creio ser o amor.
Por isso, quando lembro dessa frase, tenho inveja. Porque sei que por mais que eu tente, caminhe, vasculhe em todas as gavetas, não conseguiria encontrar essa tal bravura. Nem mesmo lutas literais se fazem como antigamente. O que hoje se chama de guerra, nada mais é que uma valsa coreografada, arranjada, milimetricamente compassada para atingir um fim, devidamente calculado por alguma equação impoética.
Talvez para se conseguir uma luta autêntica, deve-se querer muito. Querer insanamente algo. E daí vejo o quanto estou distante disso. Eu nunca quis muito algo. Meus desejos são usualmente satisfeitos com R$ 4,50 e alguns minutos de silêncio. As vezes eu até tento querer. Mas daí vem alguma coisa em mim que grita que querer não é poder, e eu sempre acho que nunca posso nada. Nunca sinto que tenho direito a poder. O que me leva a aceitar tudo que o vento carrega pela frente e bate na minha cara.
"Lute por mim." O personagem em questão, Pedro, não foi capaz de aceitar o desafio. Como parece que muitos não são. Ele não foi o primeiro. Nessas horas a balança pende para os retornos, os benefícios a longo e curto prazo, os investimentos demandados. O amor descobriu a bolsa de valores. O amor descobriu o pay off. O amor, antes uma luta apaixonada, hoje não passa de uma Guerra Fria.


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