
Não escrevo a dor fingida, embora as palavras fiquem imersas em certa atmosfera poética. Se te atraem, é porque o fim traz consigo a própria dimensão de beleza, muitas vezes incompreensível aos olhos humanos. O que nos encanta não é o cenário ou o diálogo, mas a magnitude do fim. Não importa se trágico ou cômico, feliz ou triste. O fim é belo por existir. Daí os aplausos.
A eternidade pode seduzir nos primeiros capítulos, quando vestida de vermelho e perfumada com o cheiro acre de perigo. Mas com o tempo tudo se amorna, e nossas esperanças são pisadas com pés frios. A ausência de fim entedia e torna monocromática a expectativa.
Apesar disso, muitos desejam que tudo dure para sempre. Acreditam que assim possuirão o momento em mãos, podendo sentir o que tiveram naquela ocasião por indefinidas vezes. E enquanto desperdiçam tempo tentando segura-lo, deixam escapar outros diversos.
É pecado tentar abrir novas portas enquanto as anteriores ainda estão abertas. Cedo ou tarde você terá que retornar para fechá-las. Do contrário, sua existência pode se resumir em um eterno retorno de sensações e perdas, que te trará um medo exagerado de colocar a cabeça para fora da janela e enfrentar a rotina de ilusões. É besteira dizer que todo sofrer ensina: acreditar nisso é justificar nossos atos redundantes.
Eu sou fascinada por finais. Para mim, tudo que acontece deve durar o tempo de um conto, e o fim é o enlace dos momentos vividos. Sua real natureza, no entanto, depende da visão de quem o vive. Talvez por isso as grandes histórias que vivi tenham se passado apenas dentro da minha cabeça, protegidas pela beleza peculiar do fim, enquanto fora dela os fatos jaziam crus.
Se te digo que no fim choveu, é porque choveu. As vezes, apenas dentro de mim. O que me consola é que quando um dia vai embora, outro dia desperta. E com ele a possibilidade de estar pela primeira vez de olhos secos quando receber os aplausos da platéia.
A eternidade pode seduzir nos primeiros capítulos, quando vestida de vermelho e perfumada com o cheiro acre de perigo. Mas com o tempo tudo se amorna, e nossas esperanças são pisadas com pés frios. A ausência de fim entedia e torna monocromática a expectativa.
Apesar disso, muitos desejam que tudo dure para sempre. Acreditam que assim possuirão o momento em mãos, podendo sentir o que tiveram naquela ocasião por indefinidas vezes. E enquanto desperdiçam tempo tentando segura-lo, deixam escapar outros diversos.
É pecado tentar abrir novas portas enquanto as anteriores ainda estão abertas. Cedo ou tarde você terá que retornar para fechá-las. Do contrário, sua existência pode se resumir em um eterno retorno de sensações e perdas, que te trará um medo exagerado de colocar a cabeça para fora da janela e enfrentar a rotina de ilusões. É besteira dizer que todo sofrer ensina: acreditar nisso é justificar nossos atos redundantes.
Eu sou fascinada por finais. Para mim, tudo que acontece deve durar o tempo de um conto, e o fim é o enlace dos momentos vividos. Sua real natureza, no entanto, depende da visão de quem o vive. Talvez por isso as grandes histórias que vivi tenham se passado apenas dentro da minha cabeça, protegidas pela beleza peculiar do fim, enquanto fora dela os fatos jaziam crus.
Se te digo que no fim choveu, é porque choveu. As vezes, apenas dentro de mim. O que me consola é que quando um dia vai embora, outro dia desperta. E com ele a possibilidade de estar pela primeira vez de olhos secos quando receber os aplausos da platéia.


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