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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

primeiras impressões


“É que às vezes eu escrevo”. Não foi bem um desabafo, minhas mãos não suaram e nem senti meus ossos doerem. Era mais acanhado, meia confissão-meia vergonha. Não apliquei nenhum julgamento ao ato. Qualquer opinião pessoal destruiria qualquer possibilidade de diálogo, eu estava no meu limite de timidez.
Começou cedo, sob a forma de vontade. Sempre tive mais intimidade com o lápis do que com meus primeiros passos (convenhamos habilidades físicas nunca foram lá minhas virtudes). Foi uma poesia infantil, saída de um reino imaginário ou de qualquer outra terra mágica descrita em livros de psicologia moderna. A vontade se tornou constante, passou a necessidade, chegou a ebulição. Depois foi se acalmando, visitando quinzenalmente, mensalmente, igual amor antigo.
Não é pecado, não é proibido, não é feio. Mas de certa forma, escrever sou eu. Me sinto nua em minhas palavras, por isso o medo. Por isso me cubro com todas as expressões que posso, tentando esconder minhas vergonhas com vírgulas e parágrafos. Tudo que escrevo, eu vivi, pensei, falei, amei. No entanto me tornei tão egoísta que não permito a quem lê compartilhar isso comigo. Não sei definir se isso é bom ou ruim. Talvez seja horrível. Aprecio a mutabilidade das coisas, enfim. Mas me despir assim, de vez, foge aos meus princípios literários. Se pudesse resumir tudo isso, diria: entenda como quiser. E fim de conversa.


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